DATAMBIENTAL


Sábado, Maio 14, 2005
Opinião:
BRINCADEIRA DE CRIANÇA COMO NO PASSADO


Fonte: Jornal Amazonas em TempoPor Amélia Loureiro

Felizmente os tempos estão mudando. Já não era sem tempo. Tabus e preconceitos estão sendo colocados para escanteio, como a cor rosa, outrora símbolo das meninas. Melhor. Não é mais proibido aos meninos esconderem os sentimentos e engolirem o choro porque ¿homem não chora¿. Brincar de casinha, também já pode. Hoje, todos, não importa o sexo, em razão da independência, do mercado de trabalho, do custo de vida e da escassa mão-de-obra no setor doméstico, precisam e devem saber fazer um pouco de tudo. Vai daí, quem sabe, as mulheres estarem perdendo um pouco do seu status de cozinheira de mão cheia para os homens. Onde estou querendo chegar? Eu explico, já, já.

Domingo passado, mais uma vez me pus a observar a garotada que brincava no Largo de São Sebastião. Uns pulavam corda, brincavam de amarelinha, mediam força e exercitavam os músculos no brinquedo vai-e-vem. Outros, equilibravam-se em pernas de paus, corriam equilibrando uma argola de metal (Jogo do Aro), jogavam pião e partidas de botões ¿ as peças, confeccionadas com caroços de tucumã, são de artesãos amazonenses ¿, como faziam nossos avós, pais e alguns de nós. Além dos que exercitavam a mente aprendendo a jogar xadrez, dama, jogo da velha, testavam seus reflexos e coordenação motora na mesa de ping-pong.

De repente, me chamou a atenção um garotinho, sentado no chão. "Ora, ele bem poderia estar montado em um cavalinho de pau, balançando-se, ou ao volante de um carrinho de madeira puxado a corda, como as demais crianças de sua idade" devia ter, no máximo, dois anos. Mas não. Lá estava ele, ainda desprovido de qualquer idéia pré-concebida, brincando de casinha. Sim senhor, com a total aprovação da mãe, que com toda certeza, entende que, longe da brincadeira ser exclusiva de menina, a encara como uma atividade didática que irá auxiliar o filho, mais tarde, a se virar, caso opte por estudar em um outro país, viver em uma outra cidade... enfim, decida, ou necessite morar só. Ou quem sabe, inconscientemente, claro, dando os primeiros sinais de sua vocação para a profissão que irá abraçar quando "virar gente grande", tipo: engenheiro, arquiteto, design, etc.

Hoje e amanhã, a criançada vai estar de volta ao Largo para se divertir com essas brincadeiras que fizeram a alegria e o crescimento sadio das gerações passadas, agora resgatadas pelo Governo do Estadov, através da Secretaria de Estado da Cultura, que inclui ainda, cantigas de roda, e, na Oficina de Leitura, integrantes do Centro Cultural Cláudio Santoro contando e encenando historinhas solicitadas pela criançada, que também divertem, a valer, os pais. Tudo isso, diante de uma platéia de turistas estrangeiros que baba diante do Teatro Amazonas e diverte-se com a programação do Largo, transformado em um centro de cultura (a criançada também mostra a sua criatividade desenhando e pintando nos cavaletes) e lazer. Um grande palco ao ar livre que oferece, entre outras atividades, além das já citadas, filmes, peças teatrais e palhaços que tiram qualquer um do sério. No bom sentido. Porque no Largo de São Sebastião, não há espaço para tristeza nem cara feia. Mau humor, nem pensar!


Fonte: Jornal Amazonas em Tempo




Terça-feira, Março 15, 2005
Opinião:
MANAUS BEBE O PERIGO


Fonte: Jornal Amazonas em TempoPor Patrícia Almeida

Proibida pela lei dos recursos hídricos, a comercialização de água de poço ocorre livremente em Manaus representando um risco para a saúde da população. O alerta foi dado ontem pelo superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Daniel Borges Nava, que destacou os riscos da água vendida nos postos de combustível da cidade. "Vazamentos mínimos nos postos podem fazer com que os aqüíferos absorvam o combustível, causando danos para quem ingerir a água contaminada", afirma.

Segundo Daniel, o CPRM realiza análises de amostras da água de poços, no entanto é de responsabilidade do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) a fiscalização dos pontos de distribuição de água. "A partir da regulamentação da lei de recursos hídricos, o Estado passou a ser responsável por esse trabalho", explica.

Atualmente, existem no Brasil 80 mil poços cadastrados no Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS). Os dados do sistema são compartilhados com o Ipaam, o que permite facilidade no cadastramento dos poços instalados em Manaus. Atualmente, apenas 3 mil poços estão cadastrados no Amazonas. "Estimamos que na realidade esse número seja duas ou três vezes maior", afirma Daniel.

Para atestar a qualidade da água, o CPRM desenvolve o Programa Nacional de Pesquisa em Geoquímica Ambiental e Geologia Médica (PGAGEM). Um dos trabalhos desenvolvidos pelo CPRM é o diagnóstico do aterro sanitário solicitado pela Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp).

Na avaliação do coordenador nacional do Siagas, Josias Lima, o conhecimento da situação dos aqüíferos é fundamental para garantir a manutenção dos recursos hídricos. "A exploração exagerada do aqüífero pode causar problemas como o rebaixamento do solo", afirma.

Em algumas áreas de Manaus, o CPRM constatou que o nível dos aqüíferos diminuiu mais de vinte metros. "Isso ocorre porque existem muitos poços retirando grande quantidade de água e a reposição do líquido é lenta", afirma.

As conseqüências da exploração exagerada dos aqüíferos são graves. Como em metade dos anos os aqüíferos são alimentados pelos rios, a longo prazo, nascentes podem secar e igarapés podem desaparecer. "As encostas dos igarapés que secam podem desmoronar, causando problemas ambientais enormes", observa.

Na avaliação de Daniel Nava, atualmente a situação dos aqüíferos de Manaus não são tão graves, mas causa preocupação. "Se a exploração continuar nesse ritmo, poços podem secar, problema que pode ocorrer principalmente na região do Distrito Industrial, onde o aqüífero já baixou vinte metros", diz.

Na avaliação do superintendente, por meio do SIAGAS, é possível desenvolver atividades que permitam a exploração racional dos recursos hídricos. Manaus tem um aqüífero de sete quilômetros cúbicos. Situação invejável para países que atualmente enfrentam grande dificuldade causada pela escassez da água.


Fonte: Jornal Amazonas em Tempo